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Histórias

Este blog não morreu, ainda. Estou de férias e pondo minhas leituras em dia. Segue uma citação do livro que terminei de ler hoje, Polysillabic Spree, de Nick Hornby, que por sua vez já é uma citação de outra citação:

“A vida não conta histórias. A vida é caótica, fluida, aleatória; deixa miríades de fins abertos, bagunçados. Escritores conseguem extrair uma história da vida apenas através de uma seleção cuidadosa e estrita, e isso tem que significar falsificação. Contar histórias é realmente contar mentiras.” - B. S. Johnson

Walt Disney

Terminei de ler semana passada uma biografia sobre Walt Disney. À medida que fui lendo, fui “tendo acesso” a diversos desenhos, filmes, documentários e músicas relacionados ao tema, o que me proporcionou muitas horas de entretenimento da melhor qualidade.

O livro é simplesmente interessante demais pra fazer uma sinopse aqui, então vou apenas mencionar alguns fatos interessantes.

Walt Disney estava sempre pensando a frente de seu tempo. Ele decidiu fazer o primeiro desenho animado falado, com trilha sonora e efeitos especiais, numa época em que nem os filmes normais tinham som ainda. Os distribuidores tinham medo de que as pessoas iriam estranhar vozes saindo da boca dos personagens.

Ele resolveu fazer o primeiro desenho animado colorido numa época em que a tecnologia para isso ainda era insanamente cara. Decidiu depois fazer um longa-metragem de animação, encontrando resistência de seus próprios funcionários. Em seguida um longa-metragem misturando música clássica com animação, desafiando críticos e eruditos.

Ainda na década de 30, estimulado por incentivos do governo americano para a política de boa vizinhança, Disney criou o Zé Carioca, personagem que representa o brasileiro, tomando cachaça, fumando charuto e, é claro, dançando samba.

Nessa mesma época, também criou o melhor personagem ever: Pedro, the baby plane:

Por volta da época do lançamento de Cinderella, Disney começou a se desmotivar com animação e passou a construir trenzinhos. Construiu várias locomotivas em tamanho reduzido e ficava dando voltas ao redor do estúdio e da sua casa, sentado no trenzinho.

Depois passou a se interessar por miniaturas e construiu um display temático para exposição em lojas da Sears. Foi nessa época que ele resolveu criar um parque de diversões que seria diferente de todos os outros por ser extremamente organizado e limpo.

A maior parte da verba para construção de Disneyland veio do canal de TV ABC, que era novo e precisava da parceria com Walt Disney para montar uma programação diferenciada.

Depois de Disneyland, Disney se empolgou um pouco além da conta, criando uma franquia de um restaurante de luxo que incluía piscina e 80 pistas de boliche num só local… Esse empreendimento deu prejuízo durante alguns anos e depois foi desativado.

Nos anos antes de sua morte, Disney comprou os terrenos que formariam o que veio a ser Walt Disney World. Mas seu intuito era construir uma cidade inteira, EPCOT, que seria o modelo para o futuro da vida urbana.

Alguns fatos curiosos sobre Walt Disney:

  • Fez a voz de Mickey Mouse até a década de 50
  • Detestava os desenhos do Pateta
  • Seu irmão Roy Disney foi o administrador do estúdio desde o início e era responsável por obter todos os recursos para os empreendimentos de Walt
  • Fez uma viagem por diversos países da América Latina na década de 30, mas foi embora antes do planejado porque não aguentava mais ser vestido de gaúcho e colocado pra andar de cavalo
  • Raramente contratava mulheres para os departamentos de criação pois achava que não tinham senso de humor

Última curiosidade:

Frank Churchill era o compositor dos estúdios Disney que escreveu as músicas de Os Três Porquinhos, Branca de Neve e outros clássicos. Alcóolatra deprimido, se matou com um tiro.

Morri! E agora?

Estava fazendo compras no Extra Itaim há alguns dias e me deparei com mais uma pérola:

Aparentemente o Guia dos Mortos Recentes, que aparece no filme Beetlejuice (Os Fantasmas Se Divertem) realmente existe… e está traduzido psicografado para sua maior conveniência, numa versão For Dummies.

Polysyllabic Spree

(…) Há alguns meses, fiquei deprimido por ter percebido que eu tinha esquecido praticamente tudo que já li. Entretanto, me recuperei: agora estou alegre por ter percebido que, se eu esqueci tudo que já li, então posso ler alguns dos meus livros preferidos novamente como se fosse a primeira vez.

(…) Estou começando a notar que nosso apetite por livros é igual ao nosso apetite por comida, que nosso cérebro nos diz quando precisamos do equivalente literário de salada, ou chocolate, ou carne e batatas. Quando li Moneyball, foi porque eu queria algo rápido e leve depois do bife de meio quilo de No Name; The Sirens of Titan não foi uma reação contra George and Sam, mas uma forma de melhorá-lo. Então o que é? Mostarda? Glutamato? Um licor? De qualquer maneira, desceu muito bem.

(…) Se eu não fumasse, não teria nunca conhecido Kurt Vonnegut. Diga para os seus filhos não fumarem, mas é justo alertá-los para o lado ruim também: eles nunca terão a chance de oferecer um isqueiro para o maior escritor vivo da América.

Trechos do livro sobre resenhas Polysyllabic Spree, de Nick Hornby.